quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Batalha de Okinawa

Haisai leitores!
Lembro-me da primeira vez que li algo sobre a Batalha de Okinawa. Era num livro de História do Ensino Médio que eu estava usando para estudar sobre a Segunda Guerra Mundial. Não havia muita coisa, acho que apenas um parágrafo, mas a palavra “Okinawa” foi o suficiente para ter me chamado a atenção. Lembro-me também de quando minha mãe contou histórias em que o pai dela (meu avô) descreveu com era uma bomba explodindo, de como as pessoas tentavam escapar e de outras que haviam sido atingidas por elas, das pessoas que, enquanto estavam dentro de cavernas se escondendo do inimigo, tiveram que matar seus próprios bebês, pois, eles choravam e isso ecoava nas cavernas podendo ser ouvido por quem estivesse no lado de fora e, se descobrissem onde estavam todos seriam mortos.

Assisti a um documentário meses atrás e nele contava como eram essas cavernas e túneis e como aconteciam os ataques. Havia também relatos de sobreviventes, mostrando a visão que os okinawanos tinham sobre os americanos, a partir do que era dito pelos soldados japoneses e a após isso, a visão okinawana em relação aos próprios soldados japoneses, entre outras curiosidades. Vale a pena conferir. Há  coisas que só conhecendo a história mais profundamente para entender alguns porquês, alguns (muitos) resquícios daquele tempo que, de alguma forma, ainda existem nos dias atuais.
Link do documentário - Cidades Ocultas: Okinawa
Túnel
Sendo mais objetiva, a Batalha de Okinawa foi o último e mais sangrento embate aeronaval da Segunda Guerra Mundial. Estima-se mais de 240.000 mil mortos, sendo cerca de 150.000 okinawanos, 77.000 japoneses de outras províncias, 14.000 americanos e mais alguns soldados de outras nações.
Teve início no dia 1º de abril de 1945 e seu término em 21 de junho do mesmo ano.
Foi um confronto entre as duas grandes potências do período: Japão x EUA, na qual, para o Japão, proteger Okinawa nesse período significava obter tempo necessário para preparar as defesas de sua região mais metropolitana.
Okinawa, apesar dos seus 140 km de comprimento e 18 km de largura, sempre foi um ponto estratégico por sua localidade na qual permitia o comércio com diversos países do Oriente, principalmente entre Japão e China, o que não foi muito diferente na Segunda Guerra Mundial, no entanto, serviu como ponto estratégico de ambos os combatentes (Japão e EUA). De um lado, para ganhar tempo para preparar as defesas do Japão e de outro por sua localidade próxima ao Japão mais metropolitano serviu para que fossem instaladas as bases militares americanas após terem invadido-a (tais bases ainda existem nos dias de hoje).

Todo esse confronto deixou imensos rastros de destruição, tristeza, dor, sofrimento daqueles que foram, dos ficaram, dos que não voltaram, dos que voltaram e tiveram que conviver com suas difíceis lembranças, dos que tiveram que suportar a perda das pessoas mais importantes da sua vida,  dos que não tinham outra saída a não ser combater, de todos, não só do povo okinawano, claro, mas de TODOS os envolvidos na maior e mais devastadora das guerras, pois há quem diga que em guerras não há vencedores, assim como há quem diga que as guerras geram desenvolvimento.
Os dois pontos são válidos, só creio que não vale todo o sofrimento e cicatrizes que perdurarão pelo resto da vida de cada um dos envolvidos nessa grande guerra.



Após a invasão americana, Okinawa passou a ser dos EUA e só foi devolvido ao Japão nos anos de 1972.
Lembrando que Okinawa é a maior das Ilhas Ryukyu que já foi um reino independente até 1879. Devido a isso, muitos dos traços marcantes da cultura se diferem do restante de Japão, pois, como já disse acima, foi um grande intermediário comercial entre os países do Oriente, "acolhendo" assim diversos povos.

A cultura de Okinawa baseia-se na busca constante pela paz diante dos acontecimentos que marcaram sua história como também no grande respeito aos antepassados, na alegria, na união, na hospitalidade, solidariedade, nos laços que unem as pessoas independente terem sua origem ligada diretamente à Okinawa ou não.

No ano de 1983 foi construído o Museu da Paz Himeyuri com o intuito de mostrar às novas gerações a realidade da guerra para que o sentimento de paz continuasse a ser transmitido. Há também o Museu da Paz da província de Okinawa construído com o objetivo de Expressar condolências para todas as pessoas que perderam a vida na Segunda Grande Guerra Mundial, transmitir às gerações seguintes sobre a miséria da guerra e suas lições e contribuir para a realização da paz eterna no mundo” (artigo 1 sobre a instalação e manutenção do Museu da Paz da província de Okinawa e da Pedra fundamental da Paz).

Enfim, há muitas coisas a se falar da Batalha de Okinawa, muitos detalhes, muitas histórias, mas, o que eu tentei e consegui mostrar foi só um pouco.

Para finalizar a matéria, deixo aqui uma música que diz um pouco sobre a guerra. Muitos  a conhecem. . e que por sinal, já postei em meu blog na matéria sobre a banda HY.


Obrigada por aqueles que acompanham meu site, por aqueles que caem de pára-quedas nele procurando alguma coisa (espero que encontre!), por aqueles que buscam conhecer um pouco mais das suas origens, por aqueles que gostam e se interessam. . arigatou! :)


Um grande abraço,
- Karina Kaori


Tradução de Toki wo Koe - Além do Tempo (do site de letras de músicas)
Me contaram uma história do passado
Quando não era permitido apaixonar-se livremente
A avó se casou com os olhos cheios de lágrimas
Sem poder sequer despedir-se daquela pessoa

Me contaram uma história do passado
Quando o pó de fogo caía como chuva
A avó, de qualquer forma, correu
Preocupada pela vida daquela pessoa.
Sua cintura curvada, suas pernas finas, são provas de que a avó viveu
Esse sorriso, essas palavras... Existem coisas que nunca mudam...

Essas batidas que você sente, grave-as bem em seu coração
Esta vida te liga com o passado distante: viva cuidando-a bem

Me contaram uma história do passado
Quando se trabalhava desde os quatorze
Em completa solidão, longe da família
Sem poder derramar lágrimas, para sobreviver
Escutei meu avô contar as histórias daquela época
Pude sentir que até mesmo seu rosto enrugado me deixava orgulhoso

Ao ver essas quentes lágrimas caindo de seu rosto, pensei
Que devo transmitir a alguém. Nós devemos transmitir

"A família vem em primeiro lugar" diziam as pessoas daquele tempo
"A vida é o tesouro mais valioso" não devemos nos esquecer disso
Hoje também outra lembrança se vai
É por isso que nós lhe deixamos esta canção, para que chegue até você

Me contaram uma história do passado. Junto do sorriso da avó
E as lágrimas brilhantes do avô, encontrei um tesouro único.

- Fontes bibliográficas:

2 comentários:

  1. Muito linda a tradução desta musica.
    Me dediquei muito em 2011 em aprender a coreografia desta musica.
    Uma semana antes não tinha aprendido toda coreografia, no final da apresentação foi incrivel, dei o meu melhor... deu tudo certo.

    Me apresentar no Okinawa Festival, nesta musica era uma honra, tocar com coração, uma forma de homenagem a estas pessoas que sofreram, morreram nesta triste guerra.

    Sou o Luciano Nunes da Filial RKMD Liberdade, São Paulo.
    lucianohiga@yahoo.com.br

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    1. Muito obrigada pelo comentário, Luciano!
      A letra assim como a coreografia são realmente lindas.
      Não há como escutar ou tocá-la e não ser "tocado".
      O Okinawa Festival é um evento que evidencia muito a cultura okinawana. Parabéns pelo esforço!

      Abraços!

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